20/07

Pierre Verger: o morador mais ilustre da Pousada Colonial Chile

Por anos, fotógrafo retratou a cultura baiana com tamanha sensibilidade e qualidade

Há 73 anos, no dia 5 de agosto de 1946, Pierre Verger chegava à Bahia, vindo de um navio do Rio de Janeiro. Fotógrafo, etnólogo, antropólogo e pesquisador francês, ele se encantou de tal forma pela história e cultura de Salvador que decidiu permanecer na cidade.

Pierre, que morou na Pousada Colonial Chile no período de 1946 a 1950, realizou um trabalho fotográfico de grande importância, baseado no cotidiano e nas culturas populares de cinco continentes. Além disso, produziu uma obra escrita de referência sobre a cultura afro-baiana. Vamos conhecer mais sobre essa história?

Cultura afro-brasileira

O contato de Pierre Verger com a cultura africana aconteceu nas suas primeiras viagens, nas quais se deparou com as culturas afro-americanas nas Antilhas francesas e em bairros negros de cidades norte americanas, como Nova York e Nova Orleans. Em 1936, ele passou cinco meses no continente africano, atravessando países do norte a oeste da África. Entretanto, somente com sua chegada à Bahia, no ano de 1946, que o rumo da obra e da vida de Verger mudou.

Ao se deparar com a cultura afro-baiana, o fotógrafo passou a caminhar exclusivamente nos passos das culturas africanas e afro-americanas. As descobertas do candomblé na Bahia e do Xangô em Recife, atestando a forte presença da cultura africana na Bahia e no Nordeste, incentivaram Verger a voltar para África. Ao fim dessa viagem, em que tirou muitas fotos, Verger escreveu e publicou suas percepções. Em 1954, ele publicou o livro Dieux d’Afrique: Culte des Orishas et Vodouns à l’ancienne Côte des Esclaves en Afrique et à Bahia, la Baie de Tous les Saints au Brésil (Deuses da África: Culto aos Orixás e Vodus na antiga Costa Escrava na África e na Bahia, na Baía de Todos os Santos no Brasil) primeira de várias das obras escritas por ele e que abordam o universo religioso do candomblé e das culturas africanas e afro-baianas.

Até o final dos anos 80, Verger tornou-se um tipo de mensageiro entre Brasil e África, dividindo seu tempo e sua atenção entre estes dois continentes. Como resultados desse trabalho, criou museus nos dois lados do Atlântico, incentivou intercâmbios culturais, universitários e religiosos entre a Bahia e os países do golfo do Benin, fomentando diversas trocas, principalmente entre Ifé, na Nigéria, e Salvador.

Jubiabá

Verger se apaixonou pela Bahia lendo "Jubiabá", romance escrito por Jorge Amado, em 1935, que narra a trajetória da personagem Balduíno, de menino do Morro do Capa Negro a líder grevista em lutas trabalhistas. Ele também se tornou amigo das maiores personalidades baianas do século XX, como o próprio Jorge Amado, Mãe Menininha do Gantois, Gilberto Gil, Walter Smetak, Mário Cravo, Cid Teixeira, Josaphat Marinho, dentre outros notáveis.

Fundação Pierre Verger

Desde 1988, a Fundação Pierre Verger conserva seus 62 mil negativos, sua vasta biblioteca, seu arquivo pessoal e se encarrega da difusão de seu legado antropológico e fotográfico. Localizada na Ladeira da Vila América, no Centro Histórico de Salvador, a Fundação é gerida por um grupo de amigos, colaboradores e admiradores de Verger. Os visitantes podem conhecer através de uma visita guiada, o quarto, a biblioteca pessoal e o acervo fotográfico. Mais informações no site https://www.pierreverger.org/br/ ou telefone (71) 3321-2341.

Gostou? É uma história e tanto! Para conhecer mais sobre Pierre Verger, ele que foi o mais ilustre morador da Pousada Colonial Chile é só vir para Salvador e programar sua visita em breve!⠀